Organizações se unem e elaboram propostas para fortalecer participação do jovem na educação

Todos Pela Educação, Instituto Inspirare e Instituto Unibanco apresentam documento que promove engajamento de estudantes na melhoria da escola e estimular sua participação em políticas públicas

O Movimento Todos pela Educação, em parceria com o Instituto Inspirare e o Instituto Unibanco, desenvolveu o documento “Juventudes pela Educação: Propostas para fortalecer a participação das juventudes brasileiras em prol da melhoria da educação”, que inspira e organiza orientações para a participação das juventudes nas escolas e nas políticas públicas de educação – apesar de um conjunto de leis que fomentam essa participação. Divulgado em abril, a iniciativa reuniu um grupo de mais de 60 colaboradores, entre jovens estudantes ou egressos de escolas públicas e adultos que atuam nas áreas de educação e juventude, para que suas vozes sejam ouvidas e suas insatisfações sejam reconhecidas por meio de protestos e ocupações, promovendo engajamento de estudantes na melhoria da escola e estimular sua participação em políticas públicas.

O documento convoca a sociedade brasileira a ouvir mais a juventude e fortalecer o seu envolvimento nessas esferas, trazendo justificativas, princípios e propostas concretas para subsidiar a participação. A divulgação do “Juventudes pela Educação” foi feita durante o painel de encerramento do evento Educação 360 Jovem, que aconteceu em meados de abril no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ).

A proposta da iniciativa é que aconteça uma escuta qualificada dos estudantes e o fortalecimento de organizações e movimentos de jovens engajados na melhoria da educação, também defendendo que eles tenham participação ativa nas suas escolas e nas políticas de educação. Segundo Carolina Fernandes, relações governamentais e coordenadora de juventude do Movimento Todos Pela Educação, o objetivo principal é que a participação dos jovens seja qualificada, estabelecendo relações de pertencimento e envolvimento entre estudante e escola – dados atuais sobre o ensino médio indicam que o aluno não fica na escola, e a escola não está conectada com a vida deste aluno.

A elaboração do “Juventudes pela Educação” se deu através de oficinas com estudantes, egressos, diretores e professores de escolas públicas, gestores e técnicos de redes de ensino, especialistas e ativistas pela educação. Todo o processo colaborativo envolveu jovens e adultos de diversos pontos de vista e com diferentes experiências. Segundo a diretora do Inspirare, Anna Penido, o principal receio ao desenvolver o documento foi criar uma metodologia de trabalho colaborativo em que jovens e especialistas em juventude e educação se comunicassem de maneira profunda para o surgimento de propostas em comum.

Durante esse processo, os estudantes viram a necessidade de apresentar outras demandas, como melhoria na infraestrutura escolar, qualidade da merenda e fiscalização do trabalho realizado pela gestão. Outra estudante que contribuiu para o documento foi a estudante Thaianne Santos, 19 anos, do Rio de Janeiro (RJ). Com a chegada de uma nova gestão, ela viu crescer o envolvimento dos estudantes. Para ela, a participação trouxe uma nova cara para a escola, com mais cor e identidade, fazendo com que o estudante se reconheça naquele espaço. Mesmo diante da falta de infraestrutura do colégio, Thaianne ressalta que o fortalecimento da participação dos estudantes e a proximidade com a gestão foi fundamental para transformar a escola, que reduziu índices de reprovação em dois anos e derrubou uma ordem de desocupação que ameaçava o fechamento da instituição.

Conexão com projeto de vida dos estudantes, criação de condições para o envolvimento e valorização das múltiplas formas de participação juvenil são alguns dos princípios listados no documento, que traz suas propostas estruturadas em duas áreas: Participação na Escola e Participação nas Políticas Públicas. Com o objetivo de exercer influência no cotidiano escolar, entre outras estratégias, é feita a sugestão de que seja promovidas escutas com estudantes sobre sua escola e a criação de canais de diálogo entre gestores, professores e estudantes, como assembleia e roda de conversa. Ações nas eleições são sugeridas para envolver os jovens nas políticas de educação, o que incluiria conscientização sobre a importância do voto aos 16 anos e o envolvimento dos jovens na elaboração de um manifesto com princípios e propostas para fortalecer a participação que será entregue a candidatos. Já para governos e secretarias, as recomendações englobam ações como disseminar informações para os jovens sobre todos os mecanismos disponíveis para participação disponíveis e elaborar marcos legais para a implantação de uma gestão democrática, seguindo a meta 19 do Plano Nacional de Educação.

O “Juventudes pela Educação” apresenta princípios e propostas com o intuito de fortalecer a participação, e também traz referências legais que respaldam a participação, como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a 3ª Lei de Diretrizes e Base da Educação e o Plano Nacional da Educação. ELe ainda contempla análises de cinco pesquisas que escutam jovens brasileiros: Repensar o Ensino Médio, do Todos Pela Educação (2017); Juventude conectada 2, da Fundação Telefônica (2016), Nossa Escola em (Re)Construção, do Porvir (2016), Voz do Jovem, do Mapa Educação (2016); e Agenda Juventude Brasil, da Secretaria Nacional da Juventude (2013).

 

Fonte: Porvir

 

→ Os temas publicados neste blog são de curadoria do presidente e CEO da GranBio, Bernardo Gradin.

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