ONU volta as atenções para cidades flutuantes

Projetos seriam alternativas para driblar mudanças climáticas e pressões socioeconômicas

A mais recente reunião do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), braço das Nações Unidas responsável por assuntos relacionados a assentamento humano, colocou sob os holofotes um tema incomum: cidades flutuantes e autossustentáveis.

O vice-diretor executivo da ONU-Habitat, Victor Kisob, acredita que as soluções não convencionais devem ser consideradas, frente questões como o lento progresso no combate ao aquecimento global e o aumento e intensificação de outras catástrofes climáticas.

E é justamente esse cenário climático que faz com que empresas e pessoas invistam, a cada dia, em construções em áreas habitáveis em alto mar. A agência de arquitetura BIG, em parceria com a empresa Oceanix, levou à reunião o Projeto Oceanix City, uma cidade flutuante conceitual formada por várias plataformas em formato hexagonal que poderiam abrigar até 10 mil habitantes de forma autossustentável.

A visão aérea da Oceanix City remete a uma flor, com os telhados das residências imitando pétalas – e revestidos de painéis fotovoltaicos. Os alimentos podem ser produzidos pelos moradores nas áreas de cultivo instaladas na superfície e também em dispositivos submersos especiais para cultivar algas e frutos do mar. O sol e o vento seriam as fontes de energia, priorizando fontes renováveis. Processos de dessalinização da água salgada do mar gerariam a água potável para a população. Oceanix City, na verdade, ficaria ancorada no fundo do mar e não à deriva no oceano.

Apesar de ainda não termos perspectiva de quando projetos como a Oceanix City sairão do papel, a ONU já está analisando possíveis soluções que poderiam auxiliar na recuperação de acontecimentos de grande impacto que deslocam populações inteiras. Um exemplo é o da tempestade Sandy, que caiu sobre os Estados Unidos em 2012, e a crise humanitária que assola Moçambique (a passagem do ciclone Idai deixou mais de 80 mil pessoas desabrigadas).

Outro atrativo da ideia de cidades flutuantes é o elevado e crescente custo de vida em centros urbanos costeiros. Singapura deverá somar 6,9 ​​milhões de pessoas até 2030, e para acomodar essa população será preciso mais de  50 quilômetros quadrados de espaço extra. A cidade asiática não é a única a sofrer com esse cenários, outras micronações oceânicas podem deixar de existir devido ao aumento do nível do mar e, em último caso, precisariam encontrar novos territórios. 

As mudanças climáticas e as pressões socioeconômicas, associadas à expansão urbana, devem ser as grandes responsáveis por fazer das cidades flutuantes uma nova alternativa para os governos.

Fonte: https://exame.abril.com.br/mundo/ficcao-cientifica-projeto-de-cidade-flutuante-desperta-atencao-da-onu/ 

→ Os temas publicados neste blog são de curadoria do presidente e CEO da GranBio, Bernardo Gradin.

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