Oito por cento da emissão de gases do efeito estufa vem do turismo, aponta estudo

De 2009 a 2013, emissão de carbono do setor cresceu 15%, para 4,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente

Pesquisadores da revista científica Nature Climate Change divulgaram estudo apontando o turismo doméstico e o turismo internacional como responsável por 8% das emissões de gases de efeito estufa, sendo que as viagens internacionais são responsáveis por um quarto da emissão de carbono relacionada ao turismo. O resultado divulgado é quatro vezes mais do que o estimado anteriormente. A emissão de carbono do turismo cresceu 15% em cinco anos desde 2009, somando 4,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente.

Segundo a publicação, a pegada de carbono dessa indústria está se expandindo rapidamente, impulsionada em grande parte pela demanda por viagens aéreas com gasto intensivo de energia, e a previsão é de que o turismo cresça mais rápido do que outros setores econômicos: a Universidade de Sidney aponta que a receita projetada do turismo deve aumentar 4% ao ano até 2025.

Controlar e reverter as consequências do efeito estufa e do aquecimento global requer esforços de governos e indústrias. Os Estados Unidos são o maior emissor de carbono relacionado ao turismo, e outros países ricos – Alemanha, Canadá e Grã-Bretanha – também estão entre os dez primeiros. Por outro lado, economias emergentes despontaram no ranking pelo aumento da demanda turística, com a China em segundo lugar e Índia, México e Brasil, em quarto, quinto e sexto, respectivamente. Os pesquisadores afirmam que será preciso aplicar impostos de carbono ou sistemas de comercialização de CO2 a fim de manter a poluição de carbono do setor sob controle.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estima que o número total de passageiros aéreos deverá quase dobrar até 2036, atingindo 7,8 bilhões por ano. A indústria da aviação representa quase 2% de todas as emissões de CO2 geradas pela população, e ficaria na 12ª posição se fosse um país.

O grande desafio a ser encarado foi apresentado em um estudo de 2011: “Quem pode viajar, por quanto tempo, usando qual meio de transporte, por que e com que conforto?”. A Universidade de Queensland, na Austrália, aponta que a mudança de comportamento dos viajantes – viajar menos, ficar perto de casa – é lenta e marginal, e que, do ponto de vista da sustentabilidade, um estilo de viagem restrito pode ser necessário. Uma redução na poluição por carbono que cobrisse os custos ambientais, por exemplo, resultaria em um adicional de US$ 425 para compensar as emissões de um voo de ida e volta de Sydney a Londres, apontam os cientistas.

Fonte: UOL

→ Os temas publicados neste blog são de curadoria do presidente e CEO da GranBio, Bernardo Gradin.

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