Mudanças climáticas: um preço alto a se pagar

Equipe do Departamento Federal do Meio Ambiente (UBA) da Alemanha estima em euros os danos causados ao meio ambiente

Gases do efeito estufa, bem como outras substâncias tóxicas extremamente prejudiciais à saúde da população, vêm destruindo ecossistemas e contribuindo com um problema que já é discutido há muito tempo: o aquecimento global. O número de catástrofes naturais ao redor do mundo crescem a cada dia.

De acordo com Índice de Risco Climático Global, em 2017, cerca de 11.500 pessoas perderam suas vidas em razão de fenômenos meteorológicos extremos. Os custos materiais foram calculados em mais de 375 bilhões de dólares – valor que, até hoje, jamais foi assumido pelos responsáveis por tal prejuízo. Em raros casos nos quais as vítimas dos desastres recebem assistência, a mesma parte da própria comunidade ou do Estado.

Do consumo de produtos a viagens, como nossos hábitos de consumo impactam diretamente no meio ambiente? Alguns índices divulgados recentemente exprimem esse valor em moeda, ao invés de medidas como toneladas de carbono que, muitas vezes, acabam sendo bastante vagas para o público.

Astrid Matthey, especialista do Departamento Federal do Meio Ambiente (UBA) da Alemanha, acredita que é preciso fazer com que os preços dos produtos digam a verdade ecológica por trás deles. Junto aos seus colegas de equipe, ela avalia os prejuízos dos diferentes produtos para a humanidade e explica que os mesmos provocam danos à saúde, a edifícios e infraestruturas, e em nossos ecossistemas. “Se eu monetizo esses danos, ou seja, se os expresso em euros, aí a maioria das pessoas consegue perceber melhor do que em termos de danos ao ecossistema ou de uma tonelada de CO2”, pontuou Astrid.

A equipe de Matthey divulgou há pouco tempo as cotas de custos mais recentes para a Alemanha. Elas possibilitam avaliar o aumento dos custos ambientais da eletricidade a partir de carvão mineral ou vento, da calefação com gás, óleo ou energia solar, e de uma viagem de avião, automóvel, ônibus ou trem.

Conforme os cálculos realizados pelo UBA, uma tonelada de dióxido de carbono provoca um dano de aproximadamente 640 euros nos próximos 100 anos. Um outro exemplo: se aplicarmos essa taxa a meios de transporte, um voo de mil quilômetros de distância teria um impacto ambiental de 235 euros por passageiro, contra apenas 26 euros para o mesmo trecho percorrido por em um ônibus, ou 46 euros em trens movidos à eletricidade na Alemanha. O mesmo trecho percorrido em uma viagem de carro é também extremamente prejudicial ao meio ambiente, provocando um impacto duradouro de 193 euros em um veículo movido a diesel, e de 152 euros em um automóvel elétrico, tendo como base a matriz energética alemã atual.

Em todo o mundo, especialistas propõem diversas abordagens sobre como expressar os custos ambientais no “preço do carbono”, e já se aplicam ou vão se aplicar sistemas de comércio, impostos e preços mínimos sobre o CO2. A Comissão de Alto Nível para Precificação do Carbono, sob direção de Nikolas Stern e do vencedor do Prêmio Nobel Josef Stiglitz, chegou a um preço de 35 a 70 euros por tonelada de CO2 até 2020, e de 44 a 88 euros até 2030 para atingir a meta climática global dos dois graus centígrados. Economistas do Instituto de Pesquisa de Postdam (PIK) e do Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change (MCC) presumem que se a meta permanecesse num aquecimento global de apenas 1,5°C em relação ao início da era industrial, até 2030 o preço deveria ser de 3 a 4 vezes maior.

Diversas reformas tributárias são propostas em nível mundial, com o objetivo de estabelecer um preço para o CO2, em conjunto com a redução de outros impostos, através dos quais os cidadãos e empresas que invistam em infraestrutura favorável ao clima sejam restituídos.

Enquanto na Alemanha ainda não há uma discussão mais ampla sobre como o Estado pode desincentivar o uso de substâncias nocivas ao meio ambiente e estimular novas tecnologias menos prejudiciais, nos países escandinavos, França, Reino Unido e Suíça, medidas como a implantação de impostos sobre o carbono têm ganhado força.

A deputada federal Lisa Badum, do Partido Verde, critica a negligência do governo federal e afirma que novas políticas climáticas precisam ser adotadas. Entre elas, além de um preço do carbono efetivo, a expansão integral das energias limpas do sol e do vento, uma ofensiva de investimentos para formas ecológicas de morar e sanear, e o abandono do carvão até 2030.

Fonte: CNN
→ Os temas publicados neste blog são de curadoria do presidente e CEO da GranBio, Bernardo Gradin.

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