Bancos verdes surgem para canalizar financiamento para projetos em países emergentes

Entidades  podem reduzir os riscos em mercados que não estejam funcionando muito bem

Com o objetivo de desenvolver novas formas de utilizar financiamentos privados para projetos ecológicos de países emergentes, foi criado o Green Bank Design Summit. O evento aconteceu no mês passado, em Paris para unir instituições e representantes de 24 países em desenvolvimento, que são responsáveis por quase metade dos gases causadores do efeito estufa do mundo.

Esta cúpula não poderia ter sido realizada em um momento melhor. Afinal, o investimento em atividades a favor do clima só cresce. Países como como China, Chile e Índia já estão buscando formas de alcançar suas ambiciosas metas de redução de emissões. De acordo com Paul Bodnar, diretor-gerente do grupo ambientalista Rocky Mountain Institute, que ajudou a organizar o evento, isto pode custar cerca de US$ 1 trilhão em financiamento em todo o mundo até 2050.

Em 2017, o banco australiano Macquarie comprou a Green Investment Group, uma empresa especialista em investimentos em infraestrutura verde que foi criada na Inglaterra para financiar projetos como parques eólicos e usinas de biogás. A GIG agora está fornecendo capital para projetos ecológicos em economias emergentes e trabalha para ajudar a estabelecer novos bancos verdes.

Gavin Templeton, chefe da unidade de financiamento sustentável da empresa, disse que atrair o setor privado será fundamental. Segundo ele, bancos verdes podem reduzir os riscos em mercados que não estejam funcionando muito bem e incentivar os investidores privados a oferecer produtos como garantias de crédito para contratos corporativos de aquisição de energia ou dívidas de longo prazo. Instituições e fundos climáticos que reduzam os riscos políticos, cambiais e de mercado, enfrentados pelos investidores privados, podem ser criados simultaneamente.

Um exemplo disto vem do Banco de Desenvolvimento da África Austral, que criou um mecanismo de financiamento climático usando US$ 55,6 milhões do Fundo Verde para o Clima, um programa elaborado como parte das negociações do acordo de Paris para ajudar países em desenvolvimento.

De acordo com Jonathan First, executivo bancário do próprio banco, o modelo para o mundo em desenvolvimento precisa ser muito diferente do usado no mundo desenvolvido, por não ser capaz de drenar recursos públicos. “Eu já estou avaliando as duas ou três primeiras transações em potencial”, que podem incluir usinas solares e projetos para tornar o transporte mais limpo no setor de mineração.

Fonte: UOL Economia
→ Os temas publicados neste blog são de curadoria do presidente e CEO da GranBio, Bernardo Gradin.

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